IoT – Internet of Things

Ou a interconexão entre os mundos real e virtual, entre objetos com a Internet, com possibilidades limitadas apenas pela criatividade do ser humano, conectando desde seus tênis a GPS para contar passos, distância, velocidade; sua geladeira ao supermercado para repor artigos consumidos; seu carro a serviço de emergência em caso de acidente…

Gostaria de começar esta matéria lembrando que as seguintes empresas: América Móvil (no Brasil mais conhecida como Claro, Embratel e NET), AT&T, Cable & Wireless, Cisco, CommScope, Entel, Ericsson, Hewlett Packard Enterprise (HPE), Intel, Kathrein, Mitel, Nokia, Qualcomm, Sprint, T-Mobile US, Inc. e Telefónica, integram o Conselho de Administração da 5G Américas. Basicamente são provedores de serviços e fabricantes do setor de telecomunicações.

Com empresas deste porte e peso podemos esperar um oceano de lançamentos de produtos e serviços com inovações tecnológicas já a partir deste ano.

Um dos pontos mais importantes do IOT – Internet of Things, será o SOT – The Security of Things. Empresas e indústrias estão investindo forte em segurança para IoT. No entanto, o mercado de consumo tem uma atitude mais relaxada; será necessária cooperação entre reguladores, empresas e mídia para melhorar o cenário, embora o roubo de dados pessoais e corporativos sejam os principais objetivos dos piratas.

A pesquisa “The Internet of Things: Consumer, Industrial & Public Services 2016-2021” (ou “A Internet das Coisas: Consumidor, Industrial e Serviços Públicos 2016-2021”) indica que os serviços públicos e industriais de IoT terão o maior crescimento, cerca de 24% ao ano, que significa dobrar de tamanho em um pouco mais de 3 anos, não se esquecendo que estamos falando de bilhões de equipamentos conectados em todo planeta, podendo chegar a casa de trilhões em um curto espaço de tempo considerando a infinidade de sensores que farão parte da Internet das Coisas.

Em termos de oportunidade de negócios e abertura de novas empresa, existe um filão praticamente desconhecido, pois a Internet das Coisas (IoT) vai movimentar em 2025 cifras da ordem de US$ 11 trilhões na economia global, volume comparável ao PIB da China, que foi de US$ 10,8 trilhões em 2015. A projeção foi feita pelo diretor da McKinsey, Florian Wunderlich, durante apresentação na cerimônia de lançamento do Plano Nacional de IoT, em 12 de dezembro passado no Rio de Janeiro. A McKinsey lidera o consórcio contratado para elaborar o documento, que vai nortear as políticas públicas do setor para o quinquênio entre 2018 e 2022, no Brasil.

Segundo Wunderlich, a IoT vai gerar 1 trilhão de Gigabytes em dados coletados por sensores em 2020 no mundo. O problema é que uma parte pequena desse total será tratada com inteligência. Ele cita o exemplo atual da indústria de produção de petróleo offshore. Esse setor tem hoje cerca de 35 mil sensores instalados, mas apenas 40% dos dados gerados são armazenados. Desse grupo, menos de 1% é transmitido para fora das plataformas para ser analisado. E nada é utilizado em manutenção preventiva.

Em um recente estudo realizado pela McKinsey, a consultoria chegou à conclusão de que apenas 3% das grandes empresas do mundo estão totalmente integradas à IoT, e deu como exemplo a GE. 19% estão avançando rapidamente nessa direção. Mas a grande maioria, ou 78%, ainda está engatinhando nesse assunto, embora seja um tema da moda.

Um dos desafios corporativos será treinar e capacitar os funcionários. Wunderlich estima que 40% da força produtiva mundial precisará ser treinada novamente ou simplesmente dispensada.

Entre novas tecnologias relacionadas a IoT, ele deu previsões sobre a adoção de três delas: entregas de encomendas por drones devem se popularizar dentro de três anos; carros autônomos, dentro de cinco anos; e controle de tráfego aéreo automatizado, dentro de dez anos. Fora uma imensidade de serviços que hoje ainda nem existem ou se existem poderão ser beneficiadas vertiginosamente com a IoT.

“No futuro próximo não vamos nos perguntar se uma cadeira ou lâmpada que compramos é compatível com IoT. Será natural que tudo seja conectado.”

E sobre o nosso querido Brasil que, aos trancos e barrancos, coloca no forno o Plano Nacional de IoT, considerando: agricultura, cidades inteligentes, saúde e transportes em destaque?

Tal plano norteará as políticas públicas do governo federal para esse segmento por cinco anos, entre 2018 e 2023, e irão priorizar a atuação em um grupo de três a cinco verticais. Elas serão escolhidas após uma primeira fase de diagnóstico do contexto brasileiro para IoT, que incluirá a análise do potencial do País e a definição da sua aspiração internacional nesse setor.

Como parte dessa primeira etapa, foi aberta uma consulta pública, para que qualquer pessoa ou empresa interessada possa enviar sugestões sobre o assunto. A consulta pública aborda 13 temas sobre IoT, cada um com uma série de perguntas. Alguns dos assuntos tratados são: regulamentação; fomento a pesquisa e desenvolvimento; adaptação de recursos humanos para essa nova realidade; gerenciamento de infraestrutura; segurança e privacidade de dados etc. Mais informações podem ser acessadas em www.participa.br

Pelo menos quatro verticais apontam como fortes candidatas: agricultura, cidades inteligentes, saúde e transportes. Todas são áreas em que o País tem enormes desafios que poderiam ser enfrentados com a ajuda de IoT, big data e inteligência artificial. Em uma breve pesquisa feita em tempo real com os participantes da cerimônia de lançamento do plano, agricultura e cidades inteligentes foram as mais mencionadas – vale lembrar que se tratava de uma amostra altamente qualificada, com tomadores de decisão que representam algumas das maiores empresas interessadas em IoT no Brasil.

As verticais serão anunciadas em março, durante o Mobile World Congress, em Barcelona, junto com uma primeira versão do plano. Uma nova consulta pública será então aberta para coletar sugestões da sociedade sobre cada uma das verticais.

O Plano Nacional de IoT também abordará temas horizontais, ou seja, que transpassam todas as verticais a serem priorizadas, como regulamentação, modelos de financiamento, segurança digital e interoperabilidade.

A versão final do plano será divulgada em setembro de 2017. Dela constarão sugestões de políticas públicas como parte de um plano de ação estratégica a ser adotado pelo governo para fomentar a Internet das Coisas.

Nos Estados Unidos, interessantemente, a abreviatura IoT representa, além de Internet of Things, também Internet of Threats, isto é, a Internet das Ameaças.

E você, já está preparado para esta nova onda com a Internet of Threats?


Francisco TranchesiAutor: Francisco Tranchesi, CPP, PSP

Atualmente como Security Head para Brasil, Cone Sul e Equador na Nokia Sistemas Ltda.

Diretor do Conselho Fiscal da ABSEG